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terça-feira, agosto 30, 2011

pra você, Vinícius

Sabe quando você está cansado e resolve dar aquela sonequinha que escapa da hora e acaba virando quase a tarde toda? Pois é, faço isso uma vez na semana e decidi que seria hoje. Acordei com um sorriso nos olhos e querendo me matar por ter dormido demais. Sempre faço isso, apesar de ser rotina. Depois, vejo o quanto sou babaca e rio de mim mesma. E, depois de rir, lembrei de você. 
Não sei se você teve essa sensação algum dia na sua tão curta existência, mas, se teve, acho que sabe o que estou querendo dizer.
A questão é que dormir um pouquinho a tarde faz com que eu fuja desse mundo e encare um só meu - parece clichê mas, ah, Vini, isso é tão bom. - E encarar esse mundo me deixa mais forte pra acordar e enfrentar o de verdade. Você, através de lágrimas e pensamentos confusos, decidiu dormir por mais tempo - para sempre.
Oh, Vini, sinto tanto a sua falta. E não só eu, mas todos que conhecem a sua história. Sei que a vida te dá chicotadas e te sacode até doer, mas é tão necessário ser forte. É quase que resistir à tentação de deixar tudo e encarar um sono profundo.
Sabe, Vini, perdi uma amiga também e amanhã fará nove meses que ela se foi e dói com a mesma intensidade  de nove meses atrás. Lembro das nossas brincadeiras na escola e nas tardes que passava na casa dela. Lembro das sardas que ela tinha nos lábios e do cabelo dourado escuro. Lembro também da dor que ela sentiu em seus momentos finais e do adeus. Da primeira vez que a visitei no cemitério e do botão de rosa vermelha que levei. Falo toda noite a ela como passei o dia e como está a lua. Aliás, está uma noite linda, Vini. Tão linda quanto a noite em que você nos deixou.

Saudades de todos que perdi...

terça-feira, agosto 31, 2010

Um presente

Estou tentando aproveitar cada segundo que tenho. Engraçado, nunca me importei muito em aproveitar. Achava tudo isso uma bobagem. Mas agora, que pareço estar cada vez mais perto do fim, tento imaginar como é morrer.
Queria poder saber se é como todo mundo diz, existindo de fato anjos e um lugar sereno esperando por nós.
Ou talvez isso tudo seja somente mais uma superprodução de Hollywood querendo fazer com que vejamos a morte de uma maneira conformada. Mas eu não quero. Eu quero a realidade, por favor.
Não sinto medo. Estou completamente preparada psicológicamente para isso. Pra ser sincera, nunca tive medo, nem receio. É só curiosidade.
Só não quero imaginar muito, talvez eu me decepcione.
A única coisa que sei é que por mais que o Câncer doa muito em mim, ele também me ensinou muito. Foi como se fosse um presente. Um presente que vai custar a minha vida.
Posso estar morrendo aos poucos por fora. Estou fraca e vulnerável, parecendo um papel. Mas por dentro estou viva. Querendo viver tudo que tenho direito. Estou mais viva que muita gente por aí tendo saúde de sobra. E foi porque eu descobri que, quando se está realmente perto de morrer, a pessoa muda. Tem só uma coisa que não concordo; as pessoas deveriam mudar bem antes... Aí sim o mundo seria melhor.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Pedaços

Aposto que a maioria dos meus amigos estão se refrescando dentro de uma piscina ou tomando banho de sol. Mas eu estou aqui, trancada, presa.
Lá fora está tudo tão quente, e aqui dentro de mim, tão frio. É bom lembrar do passado, das lembranças boas. Por mais que tudo machuque agora, é bom.
Verão passado foi tudo tão diferente. Tão mais alegre. Talvez seja porque eu tinha ele comigo. Ele. Que faz minhas sinapses neurais paralizarem até hoje.
Por um momento estive preparada para o que viesse. Mas não bastou cinco minutos para que minhas fraquezas viessem à tona mais uma vez.  Desejei que meus olhos não me traíssem. Que meu coração continuasse no mesmo ritmo. Que minhas mãos não demonstrassem o que se passa dentro de mim.
Tudo em vão.
Bastou a sua chegada para que minhas certezas caíssem por terra. E lá estava eu, com todos meus defeitos. Lá estava eu, completamente entregue a ele. Não tinha mais armas para lutar, nem argumentos.
Ele fez com que eu acreditasse em tanta coisa... tanta coisa que hoje não existe mais.
A mentira perfeita estava esperando por mim. Pedaços meus ainda não se acostumaram. Pedaços meus estão com ele e não voltarão mais.

sábado, julho 10, 2010

Nunca vai embora


Quando a tarde estava desbotando no céu, dando lugar a pequenas pinceladas de escuridão, ela voltou para casa.
Girou com cautela a chave na fechadura um tanto enferrujada e entrou. Tirou o sapato de salto alto, largou a bolsa em um lugar qualquer e foi em direção ao seu quarto. Quando entrou, uma onda de saudade a invadiu.
Saudade da tarde maravilhosa que teve. Saudade de talvez esse dia ter sido o único feliz com ele.
Quando entrou no quarto vazio e arrumado, ela sentiu medo. Sim, medo. Um medo enorme de talvez não ter aproveitado o dia como deveria, de talvez não ter dito tudo que ela ensaiara dias antes e que simplesmente desapareceram quando ela o viu de longe.
Olhou para o papel de parede do celular: era uma foto deles dois. Depois disso, foi impossível não conter as lágrimas nos olhos. Foi tão impossível quanto como uma criança chora ao ver que seu desenho animado preferido não vai mais ao ar.
Ela sentou na beira da cama impecavelmente arrumada e respirou fundo. Lembrou-se de quando o viu e quis desaparecer no mesmo instante. De quando ele a beijou intensamente. Lembrou-se das gargalhadas, dos sorrisos tímidos, das promessas de amor, das piadas...
Lembrando de tudo isso, ela decidiu parar de chorar. Parar e só guardar na memória esses momentos perfeitos que teve com ele. Talvez guardando eles, isso nunca fosse embora e ela poderia sempre viver esse dia.
Abraçando o celular contra seu peito, ela dormiu feliz. Porque sabia que a lembrança do dia que viveu, nunca irá embora.

quinta-feira, julho 01, 2010

Frio como o inverno

Vento congelante.

Fim. Acabou como quando você termina uma deliciosa barra de chocolate. Nunca imaginei que isso aconteceria comigo.
O destino está rindo de nós agora. Ele brinca conosco como se fôssemos duas marionetes, imunes à dor ou a qualquer outro sentimento...

Frio interminável.

...Éramos tão próximos, tão unidos. Mas, como de costume, o destino resolveu interferir, nos separando por um tempo indeterminado. Ou até talvez para sempre...

Pingos de chuva escorrendo pela janela, como lágrimas.

 ...E quando me lembro de todos aqueles momentos inesquecíveis, me desfaço em lágrimas. Você pode tentar colocar uma pedra e ordenar seu cérebro à esquecer toda nossa história. Você pode até implorar. Saiba que de nada adiantará, pois o que houve entre nós, nada apaga. E é como a barra de chocolate, você ainda sente o gosto, mesmo tendo acabado. São lembranças que o tempo não pode mudar para satisfazer um capricho seu, desculpe.

quarta-feira, junho 23, 2010

Ele mais perto

Em meu subconsciente o tempo voa. Meu consciente é avisado pela razão que o tempo passa devagar, com cautela.
Mas a emoção entende?
Não, ela não entende. Ela só quer que esse vazio em mim termine logo, dane-se o tempo.
Tem saudade transbordando nos olhos e virando em lágrima que fica ácida em contanto com minha pele.
A vida prega peças nada divertidas. Ela gosta de fazer sofrer, de sufocar e machucar. A razão desistiu de tentar me fazer parar. Até ela já entendeu o que me falta.
Mas o tempo não entende.
As lágrimas não entendem.
Os suspiros angustiados no meio da noite não entendem.
Dentro de mim existe razãoXemoção em confronto. A razão com seu jeito frio e racional, e a emoção agindo feito manteiga derretida.
Apesar das diferenças, ambas concordam com uma coisa:
Preciso dele mais perto pra ficar em paz.

Tempo, me ajuda, vai? :(


p.s.: três meses hoje. *-*

sexta-feira, junho 18, 2010

Palavras... Onde estão?

Eu tentei. Tentei mesmo achar uma palavra em algum lugar que traduzisse tudo que sinto. Que traduzisse esse trânsito de sentimentos que se passam em mim. Esse ódio. Esse amor. Esse infinito.
Um se funde com o outro, e quando percebo, já se transforma em outro sentimento. Não sei lidar com isso.
O pior de tudo é que quando estou quase lá, me matando por dentro, com minha alma se desfazendo de tanto que procuro a bendita palavra, vem o silêncio.
Maldito silêncio. Acaba de vez com qualquer ponta de compreensão que eu tinha.
E, de novo, volta tudo desde o começo... Não aguento mais isso.

segunda-feira, junho 07, 2010

Mais depressa

Ou mais devagar...

Os dias podem passar rápido ou devagar, depende de você. Vem aquela velha expressão "O tempo é relativo". Quero que os dias, os meses e os anos passem voando. Quero que nesse tempo em que espero, tudo voe. E nos instantes em que tudo realmente acontecer, que durem para sempre. Dizem para aproveitarmos o agora, por não voltar mais. Não quero aproveitar, quero apenas que passe. 
Quero poder acordar com um beijo de bom dia e outro de boa noite. Quero que ele me aqueça nesse frio que não tem dó nem piedade.
Minha felicidade está nele. Por que é tão difícil de entender?

"O valor das coisas nao está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontencem.
Por isso existem momentos inesqueciveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)

terça-feira, maio 11, 2010


Quero que você me olhe profundamente nos olhos e tente descobrir o que se passa comigo.
Quero que você me abrace, me proteja e me dê todo aquele amor.
Você é aquela luzinha no fim do túnel onde tudo parece perdido.
É tão difícil entender que é aqui que você precisa estar? Que meu coração implora por você por perto?
Meu lado racional diz que nada disso vale a pena. Mas meu coração diz que cada segundo longe, será recompensado no futuro.
E você sabe muito bem o lado que escolhi...

Having you around is the best thing I could ever dream about.

terça-feira, abril 20, 2010


(...)
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
(...)
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo...



- Nenhuma música soube traduzir melhor o que sinto como esta.

Tão longe


Ligo o computador e vou direto para minhas músicas tristes, com um suave som de piano ao fundo. Ouço e reflito. Por horas, ou minutos, não importa.
O que realmente importa é se estou bem nesse estado de reflexão.
Muitos diriam que sou triste, deprê, enfim, solitária.
Mas não é isso. Não, não é.
Talvez até seja, por um lado. Mas é desse jeito que eu me confronto.
Não me sinto só, eu estou só. Meus melhores amigos estão longe. Cada um com seus problemas, muitas vezes bem maiores que os meus. Cada um levando a vida de um jeito. Um quer ser engenheiro, uma promotora e outros tantos não sabem o que fazer da vida.
MSN abençoado que não me deixa longe deles. Mas, mesmo assim, a saudade é inevitável.
Sinto falta de uma conversa olhando nos olhos, poder tocar, abraçar, beijar... e dizer, com minha voz, não com as letras frias do computador que eu os amo muito.
E aí me pergunto: quando essa solidão termina? Em que parte da minha vida terei todos eles por perto?

terça-feira, março 09, 2010

E lá vem ela novamente


Virou rotina: cai a noite, o silêncio me domina e aquela gotinha desce pelo meu rosto.
Eu tento.
Juro que tento fazer com que os pensamentos positivos tomem conta de mim, mas não consigo.
Não consigo porque a dor é mais forte que eu. Ela grita, machuca e me leva para sua armadilha. Pro fundo.
Ultimamente não tenho sido a mesma garota sorridente e feliz. Ando correndo desesperada, tentando fugir da tristeza que me persegue.
Fujo de mim, pois sei que se ficar só, isso nunca vai parar. Quando me vejo sozinha, aquela gota ácida aparece sem querer cessar.
Meus pensamentos voam para bem longe, sem intenção de voltar tão cedo.
E quando a tristeza vem banhar os olhos, também tenho vontade de voar longe.